Fazendo História e criando novos caminhos...

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Crise de 1929


Entre Guerras: a Crise de 1929
1. A instabilidade do capitalismo
A palavra “crise” sempre traz apreensão. Em 1929, os países capitalistas enfrentaram a maior crise da sua história. A crise de 1929 foi grave tanto pelos problemas sociais que ela causou quanto pela dimensão mundial que assumiu.
Para entender a natureza dessa crise, devemos perceber que a economia industrial capitalista é composta de várias atividades interdependentes.
Quando a economia de um país se encontra num momento de funcionamento normal, as coisas procedem mais ou menos desta forma: os industriais, para produzir, necessitam comprar matéria-prima e máquinas de outros empresários. A produção de uma fábrica estimula a produção de outras. Os empresários pagam salários aos seus empregados. Estes compram alimentos e produtos industrializados. Com isso, o comércio cresce. Outros setores, como o bancário, de transporte, de diversão e de serviços, também são incentivados pelo aumento da produção e do consumo.
Da mesma maneira que há uma interdependência entre as atividades econômicas de um país, ela existe também entre as economias de vários países. Com a expansão do capitalismo industrial, essa interação passou a ser cada vez maior. Os países importam e exportam. Os capitalistas de um país fazem investimentos em outros países.
Nas fases de expansão, o crescimento econômico atinge vários países. Nas fases de crise, isto é, de recessão, os efeitos negativos também se alastram igualmente.
Assim, por exemplo, se um determinado setor da indústria não conseguir vender a sua produção, é muito provável que ele terá de demitir funcionários e deixar de comprar matéria-prima e equipamentos. A crise se alastrará para esses dois outros setores. Novas demissões serão feitas. Sem emprego, os assalariados diminuirão o consumo. Isso levará a crise para as fazendas, fábricas de bens de consumo e para o comércio. Com as atividades produtivas e comerciais em declínio, os bancos, os setores de diversões e de serviços perderão os seus clientes.
0 resultado desse processo de recessão é triste e doloroso. A maior parte da população sente na pele os efeitos do desequilíbrio econômico.
A história do sistema capitalista tem apresentado fases de expansão seguidas de fases de recessão. Isso mostra que ele não é um sistema estável, mas sempre sujeito a crises cíclicas. 0 próprio processo de expansão cria as condições para a crise, e as medidas para solucioná-la criam as condições para uma nova fase de expansão.
2. O dólar dominou o mundo
 Para muitos países da Europa, a Primeira Guerra Mundial significou morte e destruição. Alguns países chegaram a perder 10% da sua população ativa. Muitos tiveram grande parte do seu parque industrial, rodovias e ferrovias destruída. A inflação alcançava índices elevados. 0 cenário era de desolação. Para os governantes desses países, a tarefa prioritária consistia em recuperar a economia.
Se para os europeus a guerra trouxe enormes prejuízos, para os Estados Unidos resultou em progresso. 0 país, que já vinha se consolidando como uma das mais poderosas nações industriais do mundo, aumentaram ainda mais à distância que o separava das demais nações.
 Os EUA só entraram na guerra quando faltava um ano para que ela terminasse. Tiveram poucas perdas humanas e, além disso, não houve guerra em seu território. Porém, a vantagem maior dos EUA foi ter fornecido matérias-primas, alimentos e armas, momentos para os vencedores impulsionando a sua economia.
Na década de 1920, a economia americana estava em plena expansão. Cidades cresciam por todo o território americano. 0 carro-chefe do crescimento industrial eram as fabrica de automóveis. A Ford e a General Motors fabricavam mais de 1 milhão de carros por ano. Isso estimula o crescimento de siderúrgicas, metalúrgicas, fábricas de pneus, vidros e estofamentos.
0 sistema de linha de montagem multiplicava rapidamente a produção. Nesse sistema, um operário especializava-se em executar apenas uma tarefa. 0 carro resultava, então, do trabalho combinado de centenas de operários.
A produção em massa na indústria americana abrangeu também novos produtos, que, aos poucos, foram ganhando destaque na vida moderna. Na década de 1920, milhões de geladeiras, fogões, rádios e gramofones saíam das linhas de montagem. Esses produtos já existiam anteriormente, mas, com a massificação, ficaram ao alcance das famílias de classe média.
Os produtos industriais americanos eram exportados para a Europa e para o resto do mundo. Ao mesmo tempo, seus produtos culturais conquistavam amplos espaços. A música americana, especialmente o jazz, era admirada por um público cada vez maior. Astros e estrelas do cinema americano, ainda mudo, faziam bater mais rápido o coração dos fãs. As comédias de Carlitos causavam explosões de gargalhadas e, ao mesmo tempo, ajudavam a refletir sobre a sociedade moderna. As danças americanas, como o charleston, tomavam conta dos salões. Lentamente, o modo americano de vida ia sendo difundido. Os Estados Unidos, na década de 1920, nadavam num mar de prosperidade. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, na Europa, a reconstrução caminhava a duras penas.
Os europeus necessitavam de dinheiro para recuperar a economia do continente. Uma grande parte dos recursos veio sob a forma de empréstimos dos Estados Unidos. Aumentava, assim, a interdependência entre a economia européia e a americana.
3. A prosperidade trouxe a crise
A saúde do capitalismo, em nível mundial, dependia da economia dos Estados Unidos. Entretanto, a prosperidade americana apresentava pontos fracos. Um deles era a enorme concentração da renda. Durante a década de 1920, a prosperidade fez os ricos ficar mais ricos e os pobres, mais pobres. A renda se concentrou nas mãos dos grandes industriais, banqueiros e negociantes. A economia era controlada pelas grandes empresas. Elas elevavam artificialmente os preços e rebaixavam os salários. Para os capitalistas, isso era bom, mas para a economia isso era ruim, pois a capacidade de consumo da população, e, conseqüentemente, a possibilidade de venda dos empresários, diminuía.
No campo, a situação também não estava boa. A mecanização das fazendas e a ampliação das terras cultivadas provocaram uma superprodução, fazendo o preço dos produtos agrícolas despencar. A cada ano, crescia o número de agricultores endividados junto aos bancos. Esses agricultores passaram a comprar menos produtos industriais. Apesar dessa gradativa redução interna do consumo, a euforia no mundo dos negócios era imensa, pois as exportações para a Europa e para a América do Sul garantiam a expansão das vendas.
A idéia de fazer fortuna rapidamente passou a ser o principal objetivo de muitos americanos. A Bolsa de Valores parecia ser o caminho mais curto para o enriquecimento.
Normalmente, quando um empresário quer ampliar o seu negócio, ele recorre a um empréstimo bancário ou à venda de ações da sua empresa na Bolsa de Valores. As pessoas compram essas ações porque acreditam que a empresa dará lucro. E, se isso vier a acontecer, o lucro será dividido proporcionalmente entre os acionistas. Diariamente, as ações são negociadas segundo as expectativas de lucro dos investidores. Se a expectativa é de alta, as ações sobem. Caso contrário, caem.
Contudo, há momentos em que o preço das ações pode subir artificialmente, isto é, acima das possibilidades reais de lucro. Nos últimos anos da década de 1920, era ‘isso que estava ocorrendo nos EUA. Alguns empresários, aproveitando-se da euforia econômica e do desejo de lucro imediato, lançavam no mercado um número cada vez maior de ações. Assim, foram construindo um castelo de areia, que só se manteria de pé se o público continuasse a investir em ações e a confiar no mercado.
No verão de 1929, a Bolsa de Nova York operava em ritmo frenético. Embora se percebesse a gravidade da situação, nenhuma atitude era tomada. Essa omissão se explica pelo fato de que, nessa época, nos EUA, predominavam as idéias do liberalismo econômico. Segundo elas, o governo jamais deveria intervir nas atividades econômicas, pois o próprio mercado se encarregaria de encontrar a melhor solução.
A prosperidade norte-americana estava assentada em bases precárias. Um abalo levou-a ao chão.
4. O dia em que o Bolso quebrou
0 crescimento da economia americana revelou os seus problemas. No segundo semestre de 1929, eles já estavam bastante visíveis. A produção das fábricas já não encontrava compradores com tanta facilidade. A concentração de renda na sociedade americana, entre outros efeitos, diminuía o consumo. As indústrias européias voltavam a produzir num ritmo acelerado. Conseqüentemente, voltaram a fazer concorrência aos produtos americanos. Delineou-se, assim, um processo de superprodução, provocando a queda dos preços e do lucro empresarial.
0 efeito disso sobre as cotações das ações na Bolsa de Valores foi catastrófico. No dia 29 de outubro de 1929, o rosto dos corretores e dos investidores revelava o desespero da situação. Com os lucros em queda livre, a cotação das ações despencou vertiginosamente. Milhões de pessoas, que acalentavam o sonho de se tornar milionárias, ficaram na miséria do dia para a noite. A economia americana entrava em um processo acelerado de desorganização.
Todos passaram a ter medo de investir. Os empresários evitavam até mesmo aplicar mais dinheiro nas suas fábricas. Milhares delas fechara.m as portas e despediram os empregados. 0 desemprego atingiu milhões de trabalhadores e agravou ainda mais a situação das empresas que sobreviveram. 0 mercado se restringiu. Os trabalhadores não tinham dinheiro para comprar mercadorias. A crise atingiu intensamente o comércio e o setor de serviços, se alastrando por toda a economia.
Os agricultores chegaram a queimar a produção, pois os preços dos produtos a não compensavam o custo do transporte, A falta de abastecimento levou a fome para cidades americanas. As filas para conseguir comida, distribuída gratuitamente pelo governo, tornaram-se comuns nos grandes centros. A economia americana mergulhou na recessão.
5. A crise se espalhou pelo mundo capitalista
Em virtude da enorme importância da economia americana na economia mundial, a crise logo atingiu outros países. Rapidamente, os empréstimos e investimentos americanos foram retirados do continente europeu. Para a Europa, nada poderia ser pior. Na Áustria, o principal banco faliu. Na Alemanha, o povo, com medo da inflação, correu aos bancos para retirar dinheiro e estocar mercadorias em casa. Isso abalou as finanças e colocou por terra os esforços que vinham sendo feitos para reerguer a economia alemã, tão prejudicada pela Primeira Guerra.
6. A saída americana para a crise
A recuperação das economias capitalistas se deu em ritmos diferentes. Até então, as crises do capitalismo tinham sido resolvidas com a conquista de novos mercados em regiões distantes. Entretanto, agora, com o mundo já dividido e com a criação de numerosos países, isso se tornava perigoso. As chances de conflito eram grandes. Assim, a solução teria de vir de uma reorganização econômica interna de cada país.
A recuperação americana é um bom exemplo de como Isso se deu. Com algumas diferenças, as medidas adotadas nesse país foram as mais utilizadas em outras nações capitalistas. A crise de 1929 teve efeitos devastadores sobre a sociedade americana. Quinze milhões de desempregados, fábricas fechadas, agricultores vendo as suas propriedades tomadas pelos banqueiros, greves e revoltas agitando o país. A América estava à beira de uma revolução social. 0 povo culpava o presidente pela crise. Assim, nas eleições de 1932, votou no candidato da oposição, o representante do Partido Democrata, Franklin Roosevelt. Ele prometeu fazer a economia voltar a crescer. Seu programa ficou conhecido como New Deal. Esse programa implicou uma maior intervenção do Estado na economia. Foram criadas agências governamentais para administrar as inúmeras obras públicas, destinadas a reerguer a economia. Para dar emprego a milhões de desempregados, o governo mandou construir estradas, barragens, usinas hidrelétricas, reflorestar florestas etc. Com isso, esses homens, agora empregados, voltam a consumir. As indústrias, o comércio e os bancos retomaram lentamente suas atividades.
A agricultura foi beneficiada com muitos créditos e energia barata. Além disso, o governo implementou obras em áreas até então inaproveitadas. Com a ampliação do mercado consumidor nas cidades e com a reorganização dos transportes e da economia, os agricultores se sentiram novamente estimulados a plantar. As cidades voltavam a ser abastecidas regularmente.
A situação dos pobres melhorou. Estabeleceu-se o salário desemprego e um salário mínimo para os trabalhadores. Garantiu-se aos operários o direito de ter seus sindicatos e de lutar por melhores salários.
Os resultados dessas medidas foram bastante satisfatórios. Tanto que, em 1936, os indicadores econômicos mostravam que a recessão já tinha passado. A expansão se dava lentamente. De qualquer forma, os tempos de crise profunda tinham ficado para trás.

sexta-feira, 18 de maio de 2012


ENTENDA A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O séc. XIX foi marcado pela busca de novos territórios e mercados por parte das principais nações européias. Destaque vai para Alemanha, Grã-Bretanha e França. Durante o séc. XX estas rivalidades se intensificaram, fazendo com que quase todos os países do mundo se envolvessem nestas disputas. Surge a partir daí, a “Grande Guerra”, ou, “Primeira Guerra Mundial”- 1914-1918.

O séc. XIX foi bastante significativo para a Alemanha (nascida em 1871). Após a unificação, liderada pelo primeiro ministro da Prússia, Otto Von Bismarck, a Alemanha se tornou uma das principais potencias industriais do planeta. Isto só foi possível após a conquista da região “Alsácia-Lorena”, que pertencia à França, rica em minério de carvão. No séc. XIX, a Alemanha passou a disputar regiões no continente Africano e Asiático.
Fonte: Wikipédia

Quem não gostou nada de observar esta ascensão, foi a Grã-Bretanha, líder do comércio marítimo e inimiga mortal da agora “nação alemã”. Em uma de suas publicações, um jornal inglês desse período deixa clara tal aversão, “a Alemanha deve ser destruída”.
Obviamente a França não deixaria barato a derrota na guerra Franco-Prussiana (1870-1871), quando perdeu sua tão preciosa Alsácia-Lorena. A inimizade entre esses países vizinhos já era antiga.
Ao mesmo tempo, havia a Rússia com projetos expansionistas. Chegamos, portanto, a região dos Balcãs, território habitado por povos eslavos (grupo lingüístico). Envolvem-se sérvios, poloneses, tchecos, eslovacos, búlgaros, servo-croatas, ucranianos e os próprios russos. Os povos eslavos estavam sob o poder do Império Austro-Húngaro e o Império Turco. A Rússia tomava para si o direito de defender a todos estes.
Japão e Estados unidos também estavam com pretensões expansionistas, ou seja, o jogo de guerra estava pronto, alguém precisaria dar o “start”.
Após o período conhecido como “paz armada” (1871-1914) e a formação de Alianças (Tríplice Aliança: Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro / Tríplice Entente: Inglaterra, França e Rússia.), o assassinato do herdeiro austro-húngaro, Francisco Ferdinando e sua esposa em visita diplomática a Sarajevo, na Bósnia, serviu como marco inicial do conflito (26/06/1914). O autor dos disparos foi Gavrilo Princip um estudante sérvio da Bósnia e autodeclarado nacionalista iugoslavo ligado a organização conhecida como “Mão Negra”.

Depois de um mês a Áustria-Hungria declara guerra a Sérvia, acusando-a de favorecer o atentado. A reação em cadeia foi imediata, em uma semana, os blocos rivais estavam em guerra.
Durante agosto a novembro de 1914, os alemães marcharam em duas frentes de batalha, ocidental (contra franceses, ingleses e belgas) e oriental (contra os russos). Esta foi a primeira fase da guerra – chamada “guerra de movimento”. Sem vitórias decisivas para ambos os lados na frente ocidental, o conflito estagna, dando inicio a segunda fase da guerra - “a guerra de trincheiras”, cujo objetivo era o de firmar posições.
Do lado oriental as coisas foram bem para os alemães, que venceram inúmeras batalhas contra o despreparado exército russo. No entanto perderam inúmeras colônias na Ásia para os japoneses.
Na primeira guerra mundial nós tivemos a estréia das novas armas – metralhadoras, gases venenosos, tanques, submarinos, aviões, e lança-chamas. O combate corpo a corpo já não era mais tão necessário. Adeus definitivo a “Belle Époque” (período caracterizado pelo otimismo e certeza da estabilidade e paz duradoura através da total capacidade humana e inventar e criar novos produtos).


Em 1915, a Itália deixa a Tríplice Aliança e passa para o lado da Entente. Em 1917, a Alemanha adota a guerra submarina afundando qualquer navio encontrado em águas inimigas. Destaque vai para o navio norte-americano Lusitânia e o navio brasileiro Paraná, afundados pela Alemanha. Neste mesmo ano, estes dois e também outros países americanos entram na guerra ao lado da Entente.
No fim de 1917, a Rússia assina, esgotada, um tratado de paz com a Alemanha. A partir daí a Alemanha volta toda sua força para frente ocidental, dando inicio a terceira fase da guerra - “uma nova guerra de movimento(1918)”.
No entanto, ao entrar na guerra, os Estados Unidos propiciaram a Entente e seus aliados, vantagens decisivas com seu apoio financeiro e material.
O ano de 1918 não foi favorável aos alemães. Tiveram pesadas derrotas e o surgimento de uma revolta interna. Exausta, a Alemanha é proclamada república após a renúncia de seu imperador e assina a declaração de cessar fogo. Fim de jogo, a Alemanha sai derrotada.
Obrigados a assinar o Tratado de Versalhes (que impunham uma série de restrições incluindo a devolução da Alsácia-Lorena a França) os alemães atolaram-se cada vez mais em sua grave crise social, econômica e política. Isso alimentará grande ódio e repulsa as nações vencedoras, o que nos levará inevitavelmente a uma segunda guerra mundial.
O saldo trágico da Primeira Guerra Mundial foi de cerca de 9 milhões de mortos e 20 milhões de mutilados.

O mundo não era mais o mesmo, o mapa europeu é alterado e surgem novas potências, sendo os Estados Unidos a maior delas. Novas armas, novas doenças, novos preconceitos, imperfeições aprimoradas. Para lidar com tudo isso, em 1919 é formada a Liga das Nações.


Por Rafael Vicente

Professor de História

Da Revolução Russa de 1917 a dissolução da URSS


Lenin discursa em 1917
Foi durante a Primeira Guerra Mundial, que iniciou na Rússia um movimento de caráter revolucionário. O imenso, atrasado e arcaico império russo não conseguiu suportar o peso de uma guerra externa e outra interna. Em 1917, uma oposição organizada e as constantes revoltas das camadas populares, provocaram na Rússia, a primeira revolução socialista da história contemporânea.
Esta Revolução foi a primeira vitória do socialismo revolucionário, ideologia teorizada e pregada por Karl Marx e Friedrich Engels. Á partir de então, os padrões da sociedade burguesa, capitalista e liberal estavam ameaçados.


No Tempo dos czares

No final do século XIX, a Rússia era o Estado mais extenso da Europa com, aproximadamente, 150 milhões de habitantes. Mas esse império abrigava povos e culturas diversas, com graves desequilíbrios sociais, econômicos e políticos. Um dos principais problemas era a concentração de terras nas mãos de poucos proprietários. O êxodo rural crescia, o número de proletários aumentava nas cidades provocando uma forte oposição ao regime czarista que privilegiava a nobreza agrária, alguns integrantes da alta burguesia, o clero e a cúpula do exército.

Uma reforma em 1861 libertou os servos e distribuiu terras, mas os resultados foram tímidos.
Poucos camponeses receberam terras em quantidade suficiente. Apenas uma minoria de pequenos
e médios proprietários, os kulaks, se beneficiaram. O restante da população do campo continuava formada por um miserável proletariado rural. O ambiente era adequado á difusão de idéias revolucionárias. O regime czarista governava o império com mão de ferro. Os opositores do
regime eram perseguidos por um eficiente aparelho de repressão policial. Reprimia-me todo
tipo de oposição. Havia um controle severo sobre o ensino secundário, as universidades,
a imprensa em geral; Pessoas, aos milhares, eram enviadas para prisões e exílio na Sibéria.

O desenvolvimento industrial da Rússia começou tardiamente, em relação aos países ocidentais avançados, e foi possível graças à participação de capitais estrangeiros principalmente ingleses e franceses.. Mesmo assim, foi inferior ao das demais potências européias. Em sua economia, as relações capitalistas de produção entrelaçavam-se com as de tipo feudal.O pagamento de juros
sobre este capital fazia com que grande parte dos lucros não continuassem no país. . Em 1877, dos 150 milhões de habitantes russos, apenas 1 milhão eram operários.

Nesse clima, surgiram vários grupos de oposição.
No final do século XIX, as idéias socialistas chegaram até a Rússia, através do Partido Social-Democrata, criado em 1898, que passou a abrigar os socialistas russos - entre eles
Vladimir Ilich Ulianov, popularmente conhecido como Lenin.
Guerra Russo Japonesa: 1905

Em 1905, os russos foram derrotados pelos japoneses, numa guerra motivada por disputa sobre
a região chinesa da Mandchúria. As duras condições de vida da maioria da população, a corrupção que reinava na corte e esta derrota, tornaram a situação interna russa mais conflitante.

A insatisfação popular se manifestou por meio de greves e motins nas principais cidades. Os cossacos (soldados da guarda imperial) reprimiam violentamente as manifestações populares,
e o movimento de 1905 foi abafado.
Domingo Sangrento

Em janeiro de 1905, uma grande multidão reuniu-se ás portas do palácio imperial para pedir audiência ao czar. O exército abriu fogo contra eles matando muitos dos
 manifestantes. Esse fato, denominado "Domingo Sangrento", serviu de pretexto para uma série de revoltas no país inteiro. Uma poderosa unidade da frota do mar Negro, o encouraçado Potemkin, se juntou aos rebeldes.
A Composição Partidária


A eclosão e os efeitos da Primeira Guerra Mundial em 1914 demonstrou a incompetência da corte
e da aristocracia russa, desmascarando a falsa ordem constitucional. Durante a guerra, a economia russa desmoronou. Especuladores obtinham grandes lucros, enquanto a maioria da população passava por necessidades. A inflação corroia os salários, empresas faliam. Os soldados russos,
mal armados e mal preparados, morriam aos milhares nas frentes de combate e muitos
começaram a desertar.

Os operários organizaram greves, manifestações e passeatas. Os social-democratas (POSDR), partido de oposição, participaram ativamente do movimento contra a guerra e o regime. Devido a uma série de divergências internas, o partido acabou por se dividir em duas facções:
Os bolcheviques (palavra que significa "maioria"), dirigidos por Lenin; Defendiam a revolução imediata conduzida pelos operários e camponeses, liquidando de vez com o capitalismo liberal.
Os mencheviques, a "minoria", Achava que não deveria acabar com o capitalismo e sim
reforma-lo. Após, então, viria a revolução conduzida pelos burgueses com o apoio de camponeses
e operários. Esse partido teria, mais tarde, um simpatizante e futura liderança, Alexander Kerenski.

Outro partido surgido no início do século XX foi o Partido Constitucional democrata (cadete) que representava a burguesia liberal moderada e pretendiam implantar uma monarquia constitucional. 
No campo surgiu o PSR, Partido socialista russo, de tendência anarquista e que defendia as
idéias de Bakunin, líder revolucionário russo de esquerda. Eram radicais, pretendiam acabar
com a monarquia e suprimir qualquer tipo de autoridade.
A Revolução de 1917

Nas primeiras semanas de março de 1917 , eclodiu um movimento revolucionário na cidade de Petrogrado (atualmente São Petersburgo). As tropas do exército aderiram à revolução, e até os setores mais moderados da sociedade russa abandonaram o czar
Nessa ocasião, reorganizaram-se os sovietes, conselhos de operários e soldados, surgidos no movimento de 1905. Todos pressionavam o governo provocando manifestações de rua e greves generalizadas. A polícia não conseguia deter o movimento e o exército se recusava a marchar
contra a população. Nicolau II abdicou. Os revolucionários formaram um governo provisório composto por tendências políticas variadas, dirigido por Alexandre Kerenski , um dos líderes de
um partido chamado Socialista Revolucionário, e ligado ideologicamente aos mencheviques.
A princípio pretendiam consolidar uma monarquia constitucional, mas posteriormente acabaram
por implantar 
um governo republicano.

A burguesia liberal e vários setores da aristocracia apoiaram o
novo governo, que iniciou uma série de reformas. Entre elas,
destacamos a adoção do sufrágio universal, a convocação de uma Assembléia Constituinte, anistia aos líderes revolucionários bolcheviques que estavam exilados.Era um governo um tanto
quanto contraditório. existiam dois poderes paralelos:
A Duma ( parlamento) composto por moderados e os Sovietes
( conselho de operários) mais radicais e que pretendiam acabar com a monarquia.
Enquanto isso, a guerra contra a Alemanha continuava. A crise criada pela guerra e a variada composição do governo revolucionário não permitiram que os grandes problemas econômicos
que afetavam a população russa fossem solucionados.
A "DUMA" e os "SOVIETS"

O que é soviets
Um dos primeiros conselhos de trabalhadores soviéticos foi organizado por Trotsky em 1905. Um conselho popular de estrutura livre que defendia uma forma de governo socialista radical e atuava como um governo paralelo.
Composto de analfabetos, operários, soldados e até camponeses, seus membros eram escolhidos por aclamação popular, funcionava sem jurisdição e sem qualquer regra ou procedimentos fixos.


Sua composição política era quase que totalmente composta de socialistas que
diziam representar os verdadeiros interesses dos trabalhadores. Os objetivos do Soviets
eram basicamente dois: Primeiro a criação de uma ordem exclusivamente socialista na Rússia e segundo ao enfraquecimento de todas as forças políticas não socialistas, chamados por eles de "burgueses" ou "capitalistas". Combatiam radicalmente os membros do governo provisório
de Kerenski, apesar desse também ser de certa forma um dirigente soviet. Somente em junho
de 1917, a instituição "Soviets" foi reconhecida como fundamental para o sucesso do
movimento revolucionário na Rússia Com a vitória de Lenin, o Estado socialista ficou, pelo
menos em teoria, estruturado e submetido a um Conselho de operários (Soviets) localizados
nas fábricas, locais de trabalho diversos, nos bairros,etc

O objetivo fundamental era vincular a atividade quotidiana das massas aos problemas
fundamentais do Estado, da economia etc. E, também, uma forma de evitar que a administração destas questões se tornasse privilégio de uma burocracia isolada das massas.
Os soviets se organizavam no local de trabalho, elegendo representantes que estariam junto aos trabalhadores todo o tempo, podendo, essa escolha, ser revogada a qualquer momento.
Segundo os socialistas, essa forma de escolha procurava dar aos soviets, um perfil diferenciado de democracia incentivando uma participação contínua e ativa da população no governo.

Diferente daquela democracia indireta, em que as massas votam a cada 3 ou 4 anos, de forma individual, em um representante que terá toda a liberdade para fazer o que quiser até as próximas eleições.

Os conselhos (Soviets) deveriam detectar, decidir e também implementar soluções para os problemas locais.
Duma

As pressões sobre o governo imperial czarista levou-o a promulgar o "Manifesto de Outubro"
em 1905, no qual fazia promessa liberais, tentando acalmar a oposição ao seu governo. dentre
essas promessas, além de transformar seu governo numa monarquia constitucional, o czar
prometia a adoção da DUMA, ou seja, uma Assembléia Nacional Parlamentar com a finalidade
de exercer um poder de caráter legislativo. Seria eleita com base na afiliação político partidária
e estendida a todos os partidos, incluindo os revolucionários mais radicais.

A primeira Duma foi eleita em março de 1906. Mais de 40 partidos e grupos políticos estavam representados com predomínio dos "kadets". Quando começou seus trabalhos, mostrou-se demasiado liberal para a administração czarista, levando o governo a dissolve-la;

A segunda Duma se reuniu em março de 1907. Era uma Duma hostil ao governo imperial e dela
fazia parte Lenine e os bolcheviques e por isso foi dissolvida mais depressa que a primeira.
O governo fez algumas mudanças no processo eleitoral para escolha dos representantes da
Duma de forma a favorecer os partidos mais conservadores.

A terceira Duma, beneficiada pelas mudanças do processo de eleição, possuía em suas fileiras
uma maioria de representantes da direita conservadora e cumpriu, integralmente, seu mandato
de cinco anos. Apesar do seu aspecto conservador, essa Duma introduziu muitas reformas;
concedeu direitos civis ao camponeses ao introduzir a justiça local e expandir
o sistema educacional;

A Quarta Duma, mais conservadora que a anterior, teve que contornar problemas diversos
com o início das revoluções da década de 20 e outros relacionados com a 1ª Guerra Mundial.

Após a revolução de outubro de 1917, essas Assembléias foram quase que ignoradas e durante o governo de Stalin, praticamente desapareceram.
O governo soviético

Os sovietes continuaram a funcionar, o governo provisório tornava-se cada vez mais impopular.
A timidez da política social do novo governo propiciou o avanço dos bolcheviques. Nesse quadro,
a liderança de Lênin cresce. O líder bolchevista prega a saída da Rússia da guerra, o
fortalecimento dos sovietes e o confisco das grandes propriedades rurais, com a distribuição de
terra aos camponeses afirmando que s eu governo traria pão, paz e terra ao povo.

Os bolcheviques tornaram-se mais numerosos, chegando a 80 mil militantes. Lenin pregava:
"Todo o poder aos sovietes". Sua meta era a adoção da ditadura do proletariado para realizar a revolução socialista na Rússia e alcançar a paz. Várias sublevações e protestos atingiram as principais cidades russas.

Kerenski estava isolado entre a direita contra- revolucionária e a esquerda bolchevista.
A Revolução de Outubro de 1917

O governo Kerenski não consegue se manter, isolado das principais facções em luta.
Da Finlândia, onde se havia exilado, Lenin coordenou os preparativos para aprofundar
a revolução.

Os bolcheviques ingressam em massa nos sovietes e Trotsky é eleito presidente do soviete de Petrogrado. A Guarda Vermelha, uma milícia popular, foi criada nas fábricas para ser o braço armado dos bolcheviques. Lênin entra clandestinamente na Rússia e convence o comando bolchevique a encampar a idéia de revolução.

A resistência de Kerenski é debelada e no dia 25 de outubro os bolcheviques triunfam. Parte da guarnição militar e dos marinheiros da frota do Báltico se juntou aos guardas vermelhos. Tomam
o Palácio de Inverno do czar. Kerenski foge da Rússia. Os bolcheviques, largamente majoritários
no Congresso dos Sovietes, tomam o poder em 7 de novembro de 1917. É criado um Conselho dos Comissários do Povo, presidido por Lênin. Leon Trotsky assume o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Josef Stálin o das Nacionalidades (Interior). A Revolução Russa é vitoriosa e
instala o primeiro Estado socialista do mundo.

A Revolução de Outubro triunfou: os bolcheviques derrubaram o governo de Kerenski e
efetivaram o poder dos sovietes dirigidos pelo partido bolchevista, desde então denominado de comunista. Como conseqüência da vitória bolchevique teve início uma era de Terror, com o fuzilamento sumário de milhares de pessoas. O czar Nicolau II e sua família são executados
pelos 
bolcheviques.
O processo revolucionário já não pode mais ser contido,
as dissidências são esmagadas e a ameaça da
contra-revolução afastada.

O novo governo, presidido por Lenin, adotou uma
série de reformas radicais, baseadas no marxismo e executadas por meio da ditadura dos sovietes.
Os objetivos dos comunistas não eram apenas derrubar o governo provisório: Procuram criar uma nova sociedade, baseada no socialismo. Nacionaliza as terras que eram de propriedade da nobreza e da igreja e cede aos camponeses
o direito exclusivo de sua exploração.

O controle das fábricas é transferido aos operários, os estabelecimentos industriais são
expropriados pelo governo e os bancos nacionalizados. Moscou passa a ser a capital do país.
A propriedade privada dos meios de produção (terras, minas, fábricas) foi abolida.
Em março de 1918 , o governo soviético bolchevique assinou, em separado, finalmente, a Paz
de Brest-Litovsk com a Alemanha. Aceitando perder a Polônia, a Ucrânia, a Finlândia
e os países bálticos.
Conseqüências da Revolução Russa


Ao tomar o poder, os bolcheviques fizeram inúmeras reformas, entretanto, o sistema adotado
pela revolução não apresentou bons resultados. A fome e a miséria continuavam atormentando
a população russa. Internamente, os contra-revolucionários continuam tentando retornar ao
poder auxiliados pelas potências estrangeiras. principalmente européias, que tentavam
desestabilizar o regime soviético, considerando-o uma ameaça para a sociedade
capitalista burguesa liberal.

A ameaça de uma vitória dos contra-revolucionários leva o governo a tomar medidas de
exceção para reduzir a fome e modernizar o país. A indústria recebe estímulos para aumentar a produção, com a adoção de métodos de racionalização do trabalho. Técnicos estrangeiros são contratados para auxiliar a recuperação do parque industrial. O Estado confisca o trigo e torna sua produção monopólio estatal. A terra dos kulaks, médios proprietários rurais, é dividida e os camponeses pobres estabelecem governos locais para reunir o trigo excedente e administrar
sua circulação e consumo.

A má vontade da antiga camada dominante; os camponeses que demonstravam
resistência em entregar sua produção ao governo; os trabalhadores e soldados desanimados
diante das dificuldades a população descontente com os problemas de produção e abastecimento, 
os operários insurgindo contra o governo e outras rebeliões internas, fizeram com que Lenin, em 1921, com a Revolução consolidada, instituísse a NEP (Nova Política Econômica), uma volta ao
capitalismo de Estado, como solução para vencer o impasse econômico. E diz a famosa frase: 'É preciso dar dois passos para trás para depois voltar a avançar'.

O objetivo é planejar a economia e a sociedade. Logo é permitida a criação de
empresas privadas, como a manufatura e o comércio em pequena escala.
A liberdade salarial e a de comércio exterior são retomadas sob a supervisão
do Estado.
Os camponeses são obrigados a pagar taxas, em espécie, e são autorizados os empréstimos externos, como os negociados com a Inglaterra e a Alemanha.

Em 1924 é criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) com a adoção de nova Constituição. A criação de uma União é a fórmula encontrada pelos bolcheviques para conseguir manter unidos nacionalidades, etnias e territórios que pouco têm em comum.

Segundo a Constituição de 1924, as repúblicas têm autonomia, proposta que nunca saiu do papel. O poder é 
mantido por alguns líderes do Comitê Central por intermédio do Partido Comunista.
A guerra civil


A Transição do governo czarista para o socialista não foi um parto normal. Uma guerra civil entre
os bolcheviques e os brancos, antigos monarquistas, e outros setores que haviam sido derrotados na Revolução de Outubro teve início.
Os kulaks , médios proprietários, foram acusados de trair a revolução.O governo central de
Moscou enviou brigadas de operários ao campo para apoiar o movimento camponês contra os kulaks. A execução de kulaks e a morte de militantes bolcheviques nos conflitos com os exércitos
de russos brancos caracterizaram a guerra civil.

As potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial, alarmadas pelas medidas tomadas pelo governo soviético, prestaram auxílio militar aos brancos.
Forças japonesas, francesas e inglesas ajudaram os contra-revolucionários.
Apesar do auxílio estrangeiro, o governo de Lenin triunfou sobre seus inimigos internos e
consolidou a revolução comunista no antigo império dos czares. Politicamente, o novo regime proclamou a nova ordem social na Constituição de 1918.A Constituição soviética contém uma declaração de direitos do"povo explorado e trabalhador".
A Ascensão de Stalin

Lênin, o fundador do primeiro Estado socialista, morre em 1924 e sua morte deu a
uma violenta luta pelo poder entre Trotsky e Stalin.

Os dois, marxistas, tinham concepções diferentes de política e revolução. Para Trotsky,
o sucesso do socialismo na URSS depende da vitória de revoluções operárias nos países vizinhos. Defendia, portanto, a revolução mundial permanente. Stálin, ao contrário, defendia a construção
do socialismo apenas na URSS, deixando de lado a tese da revolução mundial até conseguir a industrialização do país, com a União Soviética em pé de igualdade com as nações capitalistas.
Trótsky é um intelectual de formação sofisticada, viajado, criador do Exército Vermelho
e respeitado teórico Marxista.
 


Stálin é um revolucionário sem sofisticação, que soube construir uma máquina política
dentro do partido. É duro e brutal, como demonstra nos anos posteriores.
Stálin derrota Trótsky, que é destituído de suas funções, expulso do partido em 1927 é
deportado da União Soviética em 1929. Tempos depois, em 1940 é assassinado no
México a mando de Stálin.
Cronologia

1861 - Reforma liberta os servos e distribui terras.

1877 - Dos 150 milhões de habitantes russos, apenas 1 milhão eram operários.

1905 - Derrota russa perante os japoneses, greves e motins nas principais cidades.
Uma poderosa unidade da frota do mar Negro, o encouraçado Potemkin,
se junta aos rebeldes. As autoridades do czar reprimem violentamente
as manifestações populares.

Março de 1917 - Eclode um movimento revolucionário na cidade de Petrogrado
(atual São Petersburgo).

Julho de 1917 - Várias sublevações e protestos atingem as principais cidades russas.

25 de outubro de1917 - A insurreição popular eclode em Petrogrado.

Março de 1918 - O governo soviético assina a Paz de Brest-Litovsk com a Alemanha.

1918 - O novo regime proclama a nova ordem social em uma Constituição
.
CRISE  E DISSOLUÇÃO DAS REPÚBLICAS SOVIÉTICAS

Revolução Russa
A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, também conhecida por União Soviética ou simplesmente URSS, foi um país de proporções continentais - 22.402.200 km² de área -, que cobria praticamente um sexto das terras emersas do planeta e fazia fronteira com 12 países. Fundado em 30 de dezembro de 1922 pela reunião dos países que formavam o antigo Império Russo, na Europa e na Ásia. Tinha como vantagens a grande ocorrência de recursos minerais e sendo auto suficiente na maioria dos recursos. Como desvantagens a localização entre 35 a 80 graus de latitude, o que deixa a região com 200 dias abaixo de gelo. 

A maioria da população era formada por eslavos do leste (russos, ucranianos e bielorussos) - grupos que atingiam mais de dois terços da população total no final dos anos 1980. O russo era a língua oficial da URSS, mas mais de 200 outras línguas e dialetos era falados. Ao menos 18 línguas eram faladas por mais de um milhão de pessoas cada, e cerca de 75% dos habitantes falavam línguas eslavas. Em 1989, o país tinha estimados 286 milhões de habitantes.

O número de repúblicas que o constituíram variou ao longo do tempo, mas foi de quinze durante a maior parte da existência do país. Em 1990, penúltimo ano de existência, a URSS contava com 20 repúblicas autônomas, oito províncias autônomas, dez distritos autônomos, seis regiões e 114 províncias. A União dissolveu-se oficialmente em 26 de dezembro de 1991.